Café Literário


Palena Duran
ph Eduardo Barrox, sp 2005

GARRAFAS

ou ‘Terra Sonâmbula’, não fosse já de Mia Couto 

Entreguei-lhe o jornal, depois alguma outra coisa, e sem a fé cristã de esperanças ocas algo mais é preciso. Atear fogo, uivar, unir mãos em torno da transmutação – e qual era mesmo o leitmotiv para o sangue passear pelas ruas? Poesia, prosa, romance ficção, ciência, diário... mas e os olhos debaixo do tapete, e a pele repelente? Apenas mais um jornalzinho, ele disse, o lumpezinato da poesia... É de vera camará, até Lula é lúmpen, e tudo como está. E lúmpen pode ser ausência de consciência de classe (...). Arte imitativa, arte por falta de diálogo, arte em nome próprio, arte de exposição (para os amigos), arte para vitrines, arte de jardim, flores, patinhos na lagoa, mar e amor. Tudo pretende bossa nova e a bossa em pouco inova. Guitarras elétricas e vozes dissonantes tiveram tempo novo, agora alguns buscam peles, sementes, troncos de árvore e a origem. Origem de nós agora, nossas tribos dizimadas e diferentes cores de pele por um motivo de vida. E ganhamos novas tribos: tatuados, ‘de gênero’, críticos e jogadores especialistas em cabeçadas, chutes de direita e, assim, modernos burgueses sofisticados que convivem, e vegetarianos, e oncinhas, e sagüis, e botos cor de rosa (...) falam entre si, entre o duende e o saci. E o movimento rachou; saci não se cria mas se preserva, vice-versa e se endurece el diálogo. E o dono da voz ignora a voz do dono. Em nome de - para quê? Ah, acadêmicos, intelectuais a nutrir tendências religiosas ‘tipo’ ...tribalistas. Trotsque, existenciae, anarque, liberales... conversam entre si, entre o duende e o saci. E certa ordem reguladora do universo mantém-se intacta. É preciso mudar o discurso, o ‘datado’ - palavrão, e não dar a impressão de que o disco riscou. Senão não vende, quem sabe. Vende que, vende quá, vende de, vende da, compra-zer. Assim dias surdos, tempos mudos. Mas e o jornal mesmo...? Ele foi embora e deixou o jornal caído no chão. E alguma coisa urgentemente, o conto do João Gilberto Noll, a morrer no coração. A pessoa desempregada entre a pobreza e a miséria, e "o exterminador está entre nós", disse o filósofo francês no jornal. Ah, o assunto – eis que pode haver notícias da Terra e de Marte; a terceira revolução industrial a nos encaixotar e o Fetiche da Mercadoria e a necessidade do consumo e a propriedade e a crise... Crise de criação sem referências históricas ou pensamento crítico, não há vanguarda para comprar nas prateleiras do supermercado ou nas bancas de... Jornal. Terror... e o ismo; catolic, islam, capital e neo de tudo. Como ficam os quéchuas, índios primos, então entre o neoliberalismo e a falta da falta da falta? Os povos têm que se salvar e América nos assiste; ela que não é ama de leite, e foi mãe de muitas nações e sofreu casamento forçado, estupro desgarrado, e nos abandonou sem deixar endereço. América era poliglota, teve inúmeros filhos entre diversas tribos, e recebeu esse nome quando já era crescida – daí amantes espanhóis, portugueses, ingleses, franceses... lambuzaram-se até. Quem sabe América não fugiu com África ou Ásia... por desgosto mesmo. Precisamos telefonar para Europa hoje mesmo em busca de notícias!!! Ela deve saber do paradeiro de nossos familiares, Acreditemos. E que dia foi aquele em que perdemos as Esperanças – loucura! – na saída do boteco? Até Mário e Oswaldo (os Andrades) as reencontraram - no Brasil. E amaram e fizeram poesia e música e cinema e livros e revistas e... Jornal. Deve haver uma função nisso, essa história de escrever pra cá e pra lá entre tantas guerras particulares e o Pânico Frio, só pra citar novamente o filósofo francês. E francês é latino sofisticado, não é não? Tenho um amigo que fala guarani – primo do tupi - e acho bem mais difícil, pra falar a verdade... Então, pensemos juntos, nesta hora de opção vamos nos alfabetizar ou analfabetizar? Vamos conservar ou promover a re-ação? E sem sombras de ilusão sempre existirão os reacionários assim como a dialética...
Pena que agora nem dá tempo de falar sobre o Ivaldo Bertazzo e o filme que assistimos na semana passada, e o quanto sonhamos em conhecer Buenos Aires, as florestas da Colômbia, o deserto de Atacama, a Patagônia, a terra dos Maias (que não são parentes dos Junqueira de jeito nenhum)... porque a louça tem que ser lavada, a comida preparada, a casa arrumada e o Jornal editado - porque alguma coisa urgentemente deve estar por acontecer.

Palena Duran, São Paulo, SP, in Café Literário#14, abril 2004
seleção de texto Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 4h42 PM
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ph Barrox,
série Planeta São Paulo, 2006


FALSA ESPERANÇA

Por que silenciamos nossa voz
quando queremos gritar?
Um murmúrio rastejante escapa
por entre os lábios,
soa como um eco vindo
de tumbas solitárias,
estremece os olhos
que nos vigiam, cegos.
Semeamos nosso ódio
em palavras nunca ouvidas,
malditas declamações
mudas de versos insensatos
que nada dizem...
covardes revelações da alma!
Sobrevivemos no silêncio de nossos gritos.

Abílio Mateus Jr., São Paulo, SP, in Café Literário#13, fevereiro 2004
seleção de texto, Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 4h19 PM
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ph Camaleoa, 2006, sp


AV. PAULISTA

As roupas maltrapilhas
não escondiam o seu corpo
e havia um cigarro aceso,
entre os dedos,
quando com outra mão pedia esmola.

Sem tristeza nos olhos
vi logo
em seu rosto pardo,
apenas desafio.

E o sorriso tímido
gargalhou em grito
quando fechou o vidro da janela,
meu medroso ser,
a parti.

-Filho da puuuuuta!

Ouvi, mas já estava longe

Flavio Alberoni, São Paulo, SP, in Café Literário#12, dezembro 2003
seleção de texto Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 4h07 PM
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Bebel linha
minha linda
carretel...
une os cacos:
meus pedaços
meus destroços.
Me desvela
os segredos
secreta
meus anseios.
Me leva
carrega
adoça
adorna
adormeça
meu colo
que eu te bebo,
Bebel,
aquilo tudo que já nem sei
mais de seu

por Janaina R Iacomo, São Paulo, SP, in  Café Literário # 11
seleção de texto & imagem Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 7h09 PM
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Um poeta sozinho

Um poeta está sozinho.
Desertaram-lhe as palavras,
Os colibris e um certo sorriso travesso.
Um poeta está sozinho
E está cabisbaixo.
Faz voar as pedrinhas
Bem no meio do caminho,
Teimoso e louco,
Humanizando a praça.
Não faz muito o chamei
Da janela do meu pensamento,
Mas o poeta, de mãos no bolso,
Era só reflexo de mim na vidraça:
Sem casa, sem verso,
Um coração em metade.
Tentativa de um poema
Esperando de Deus uma graça...

in Café Literário#10
por CRIS NIEDERAUER, Porto Alegre, Brasil
seleção de texto por Mariana Terracota e Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 2h14 AM
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ilustração de capa da edição # 9 do Café Literário
xilogravura de Iodocus Bordins Ascencius,
que mostra uma oficina gráfica no século XVI


Recado ao poeta

O que não virá inscrito em tua biografia,
Nem Ilustrado por imagens em preto e branco
Perseguidas pelo olhar à meia-luz,
São teus eclipsados suspiros de homem,
Sentimentos na intimidade das metáforas,
Indecisos por se revelarem.
Porque te proteges nos poemas,
A coragem que te falta na vida,
Imagina-a nos versos, distribuídos em fartura,
Vencendo a longevidade da dor
Enquanto arrebata o amor sôfrego,
Terno, contundente amor,
Que te excita a Alma,
Antes do corpo.
Nos becos do mundo,
Sombrios e solitários da existência,
Uma orgia de sentimentos festeja hoje
Tua biografia, escrita em partes,
A mais importante, sempre por acontecer.
É assim, tua Alma, poeta,
Salvando-nos dos prostíbulos do mundo,
Emprestando letra ao choro barroco das mulheres nas igrejas,
Engasgando entre lágrimas nossas palavras não ditas,
Enquanto margeiam, à deriva,
Teus próprios sentimentos.
É essa tua Alma, poeta,
E não outra coisa,
Quem te faz assim.
E por ela, nos aventuramos,
E damos graças.

MARISE POLLONIO, Vinhedo, SP - seleção de texto & imagem por Eduardo Barrox
publicado na edição#9 -0 jun2003



Escrito por tablóide Café Literário às 10h06 AM
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John 'Baby' DeCruccio,
Lorenzo Ferrari
&
Eduardo Barrox,
ph
Neide Costa


By the sea

When Iam alone
And just want to be
The best place for me
Is by the sea
The sound of the waves
As they break ont he beach
A lesson in life an nature
While relaxation they teach
I love the solitude
And unending flow
Thre us wave after wave
While on each the moon does glow
This is the definitive
Of nature at its best
It never stops
Or takes a rest
All complications in life
Seen to disappear
When we sand, the sea
An the waves are near
It takes all turmoil
Simplifies it for me
When iam at place
By the sea
I love the consistency
The uncomplicated sound
No where can there be
Better feelings to be found
This is a real escape
For all things for me
When iam at a place
By the sea
Life can deal you
A good and bad hand
When you are by the sea
You think clearer and understand
You can sing, dance and eat
Drink beer or even ice tea
All always seems better
When you are by the sea
Good feelings, sound and scenes
Are provided for thee
Nothing asked in the return
For being by the sea
If a love in your life is with you
Rewards assume a higher degree
When you are together
To enjoy each other by the sea
By the sea, by the sea
By the beatiful sea
You and she, you and she
How happy you can be

poema de John DeCruccio, São Paulo, BR 
publicado na edição#8 do Café Literário,
abril 2003
seleção de texto por Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 11h19 PM
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collage Marie-Lorraine Metz
série publicada na edição # 5 do Café Literário
seleção de imagem por Camaleoa

LAMPEJO
No ar tornando-se
o meu respirar-ser
Nas palavras (o teu ser)
repercutindo-se em mim
Nas (minhas) dores que são medos
e se fazem renasceres
Na morte permitindo
a diversidade da vida
Na morte-vida integrando
o que foi-é-se-cria
Na vida-luz revelando
a dança das partículas
No búzio ecoando
o som-música do mar
No mar que se muda
em nuvens-céu-azul-ar
A beleza
a poesia
sempre
Em tal
certeza
a paz 

publicado na edição # 7 do Café Literário, fev 2003
SOFIA VILARIGUES, Lisboa, Portugal
seleção de texto por Marise Pollonio



Escrito por tablóide Café Literário às 12h45 PM
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ilustr. Rebecca Navarro Frassetto

a edição # 6 do Café Literário fechava seu primeiro ano de existência em dezembro de 2002 trazendo na contracapa os nomes de todos os partipantes do projeto até então:

Cris Niederauer Andrea Lotto Jandyra Adami Roberto Cônsoli Lilian Alves José Braz Alba Negromonte Graça Spiller Alberoni Francisco Rodrigues Eliane Cauduro Maria Theresa Neves Carla Aka David Miranda Claudia Rio Alice Tomé Sandra Falcone Roberto Stavale Rebecca Navarro Frassetto Marie-Lorraine Metz Yara Affonso Diógenes Pereira de Araujo Regina Más Helena Guimarães Alberico Rodrigues Ligia Piola Lorenzo Ferrari Vanessa Cavalcante Luiz Carlos de Moura Azevedo & Eduardo Barrox

também era celebrada com dois excelentes textos de abertura por Rebecca Navarro Frasseto e Cris Niederauer (ver abaixo)

 



Escrito por tablóide Café Literário às 12h24 PM
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Ano zero

Primeiro exemplar

Café Literário será o nome dele.

Sua mente será libertária, suas veias ficarão expostas... os olhos, ora serão abertos, ora ficarão sonhando. O corpo será belo, esculpido pela arte oculta, pelo desejo tardio, pela loucura desnuda de qualquer pudor, de todo escritor, estes seres estranhos. O coração há de pulsar a cada edição. Arte para quem respira, palavras, o humano e suas não mentiras dentro do ser com suas não verdades.

Alguém ainda sairá aos tapas por ele! a fila meu caro, não será pequena, a anarquia dos Andarilhos das Letras nunca será em vão. Chegará a madrugada de um final de ano qualquer, a madrugada de tantos amantes, de tantos cordéis, de tantas palavras desaparecidas... chegará a noite dos pensamentos secretos, da poesia na rua, dos segredos manchados, da noite sozinha, distante da indigente mesmice preconizada, da noite calada, do silêncio total. Para esta noite, Café. Meu caro, traga-me algo escondido naquela gaveta - algo de bom - algumas palavras perdidas, alguma lembrança do Sul, um bocado de Minas, alegria do Norte, experiência de além Mar. Traga algo de comer mas que não seja de mastigar... palavras se devoram de mansinho e hoje meu caro, antes do dia chegar quero palavras para saboreá-las, ficarei a decifrar o encanto de cada escritor, estes seres estranhos, nestas românticas e cheirosas folhas de papel jornal, terei o tempo como companheiro e a fumaça de um cigarro qualquer vendo o tempo passar. Café Literário, este será seu nome. Em um ano alguém ainda estará falando dele, sem parar... só porque deu certo Para sempre.

 

Rebecca Navarro Frassetto, São Paulo, BR



Escrito por tablóide Café Literário às 12h20 PM
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Umanopara nossasvidas

A chama multicor de coragem, atrevimento e inocência foi mantida acesa em 2002 com a energia de nosso espírito libertário e com olhar carpe diem de quem nos lê. Foram seis edições de um Café Literário, oferecidas ao mundo no intento de acordá-lo. Cometemos pecados com a certeza de que, a partir deles, desnudaríamos nossas virtudes. E inundamos a praça Benedito Calixto e todas as praças que nos receberam... Despejamos por entre calçadas, barracas e trilhas nossa mensagem de que, a despeito de todas as dificuldades que se têm neste país para divulgar a arte, somos otimistas eternos em relação ao futuro e não desistiremos tão fácil. Recebemos de nossos leitores, incentivos vários para prosseguir o caminho. Alguns desses leitores, por entusiasmo infinito ou inquietude explícita, tornaram-se companheiros de viagem e, hoje, são andarilhos a trilhar letras conosco. Vieram para nos permitir mostrar que não há fim no processo de construção da arte. Vieram para nos lembrar de que tudo é feito essencialmente de começos. Esta sexta edição do Café é assim como o ano de 2002. É um ato amoroso. É um dissolver tácito de entrega. De trás pra frente ou vice-versa tudo será sempre um começo. Tudo tem esse gosto de Aqui & Agora. 2002, um ano em que vocês & nós, juntos, fizemos diferença.

CrisNiederauer



Escrito por tablóide Café Literário às 12h15 PM
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e também trazia, em suas páginas, um emocionante texto da estilistapoeta Lilian: 

alinhavos com letras e linhas 

Tenho visitado todos os dias as linhas do mundo. Desenhadas por borboletas dançarinas no céu da boca do estômago que já não dorme, Pois esqueceu de tirar a pedra bruta das costas e colocar ao lado dO caminho para onde É de graça chegar lá só custa ler e deixar de ser uma bolinha (de isopor) presa ao fundo do mar reVolto ao  incerto ato de fluir cores amarradas em forma de vaga-lumes numa árvore de natal. Substituo Bolas pelas nossas vidas escondidas no úmido porão. Úmidas cenas destelhadas secos corações esquartejaDores de amores As cores do novo presidente vermelho rosado um pouco dourado emocionaram meu país banguela Alguém observou os dentes grandes e fortes que permitem toda aventura em corpo nu (a) cabeça já nem fica em cima do pescoço nessas horas donas de ninguém. Das interrompidas mariposas fervidas na produção de sedA(tivo) a memória percebo tarde demais que o sistema me engoliu quando esqueço de mandar taxistas se foderem sob o semáforo aberto. E Quando for descoberto o ‘entusiasmo - carregar o deus dentro’* não precisarei mais de assinatura nem foto ou (im)pressão digiTal qual a chuva que nem dá sinal pra essas crianças esquecidas de como eram quando Choronas abaladas junto ao tempo distribuído na mesma freqüência com que o emissor transmissor receptor procuram ‘o fundo do mundo (que) é de ouro. mas o mundo está de cabeça para baixo’  Kerouac também acharia que tudo acaba numa buceta? Dívi(di)da entre o toque macio e os despedaços do amor enciumado enviesado à trajetória faminta por dezenas de pães na chapa na qual deveria estar escrito ‘tr3s são os mandamentos da vida: amar, amar e amar’**. beijobeijobeijo a doçura de uma poesia recitada sob três ponto cinco por cento inflacionados suspiros de quem vai aprendendo aos poucos o que significam Ítacas.

 

a todos aqueles que cruzaram seus olhares com os meus nos últimos tempos amigabelha sóciamiga reencontradamiga amigo amigos irmãos-amigos sócios clientes professores especiais turma wspecialíssima tramas urdumes pequenos transeuntes pai & mãe Amor amores paixões paixão re-descobertos)

Lilian Alves, Brusque, SC, BR

seleção de textos edição#6 por Eduardo Barrox  e Gato Bukowski



Escrito por tablóide Café Literário às 12h13 PM
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Fumaça, protesto,
presença & vazio pretexto
e um talvez
esperança de que o mundo
sinta a genealidade mergulhada
em etílicos líquidos agonizantes
num tédio crescente
das mãos trêmulas do escritor
da Hollywood mesquinha & comprimida
dos anos 50.
Rebelde da arte contemporânea
transversal & travessa literatura
a rir assustadoramente
suspenso
entre o Caos e o Tao
 
Cris Niederauer, Porto Alegre, RS, Brasil
publicado na edição # 5 do Café Literário, seleção de texto por Yara Affonso, set-out 2002 


Escrito por tablóide Café Literário às 7h30 PM
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reprodução de fotografia escolhida por Rebecca N. Frassetto para ilustração de capa da edição#3, mai-jun 2002

 

Luz noturna solitária se ergue na vertical escuridão e registra no vazio, sóbrias notas de melancolia na mesa do bar. Blues. Uma mulher debruça o corpo na janela e beija a boca do mundo sem estrelas, abraça o olhar invisível e o desejo que umedece seus lábios com a língua dos ventos. Frio. Ela sente o calafrio da música subir-lhe o corpo, enquanto gritos se instalam no eco da neblina a misturar-se à fumaça do último cigarro que ele traga junto de seu sax. Cinzas ao chão. Louca, ela se joga em meio a um vôo de sentimentos perdidos, esquecidos na porta do bar. In-certezas de pousos, palavras musicadas na promessa de uma fantasia a rasgar-se no cansado corpo, faz com que ela se jogue nas profundezas de ruas e sons, em busca daquele amor que fuma a esperança no e-terno ritmo lento de ondas sonoras num mar de dedos em sopros a velejar em pautas pausadas atracadas às letras intactas que ele enterrou junto da sua última nota toca! da ao ar livre de versos transversos em duplos sonhosblues. Área isolada. Gotas de silêncio velam um corpo na surda esquina. Um sax rasga a noite num grito profundo de dor. Chove, e a luz se apaga.

Yara Affonso, texto publicado na edição#4 do Café Literário, ago 2002; seleção de texto por Eduardo Barrox



Escrito por tablóide Café Literário às 6h19 PM
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José Manuel Restivo Braz, phBarrox, 2002



Escrito por tablóide Café Literário às 11h17 AM
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