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ilustr. Rebecca Navarro Frassetto

a edição # 6 do Café Literário fechava seu primeiro ano de existência em dezembro de 2002 trazendo na contracapa os nomes de todos os partipantes do projeto até então:
Cris Niederauer Andrea Lotto Jandyra Adami Roberto Cônsoli Lilian Alves José Braz Alba Negromonte Graça Spiller Alberoni Francisco Rodrigues Eliane Cauduro Maria Theresa Neves Carla Aka David Miranda Claudia Rio Alice Tomé Sandra Falcone Roberto Stavale Rebecca Navarro Frassetto Marie-Lorraine Metz Yara Affonso Diógenes Pereira de Araujo Regina Más Helena Guimarães Alberico Rodrigues Ligia Piola Lorenzo Ferrari Vanessa Cavalcante Luiz Carlos de Moura Azevedo & Eduardo Barrox
também era celebrada com dois excelentes textos de abertura por Rebecca Navarro Frasseto e Cris Niederauer (ver abaixo)
Escrito por tablóide Café Literário às 12h24 PM
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Ano zero
Primeiro exemplar
Café Literário será o nome dele.
Sua mente será libertária, suas veias ficarão expostas... os olhos, ora serão abertos, ora ficarão sonhando. O corpo será belo, esculpido pela arte oculta, pelo desejo tardio, pela loucura desnuda de qualquer pudor, de todo escritor, estes seres estranhos. O coração há de pulsar a cada edição. Arte para quem respira, palavras, o humano e suas não mentiras dentro do ser com suas não verdades.
Alguém ainda sairá aos tapas por ele! a fila meu caro, não será pequena, a anarquia dos Andarilhos das Letras nunca será em vão. Chegará a madrugada de um final de ano qualquer, a madrugada de tantos amantes, de tantos cordéis, de tantas palavras desaparecidas... chegará a noite dos pensamentos secretos, da poesia na rua, dos segredos manchados, da noite sozinha, distante da indigente mesmice preconizada, da noite calada, do silêncio total. Para esta noite, Café. Meu caro, traga-me algo escondido naquela gaveta - algo de bom - algumas palavras perdidas, alguma lembrança do Sul, um bocado de Minas, alegria do Norte, experiência de além Mar. Traga algo de comer mas que não seja de mastigar... palavras se devoram de mansinho e hoje meu caro, antes do dia chegar quero palavras para saboreá-las, ficarei a decifrar o encanto de cada escritor, estes seres estranhos, nestas românticas e cheirosas folhas de papel jornal, terei o tempo como companheiro e a fumaça de um cigarro qualquer vendo o tempo passar. Café Literário, este será seu nome. Em um ano alguém ainda estará falando dele, sem parar... só porque deu certo Para sempre.
Rebecca Navarro Frassetto, São Paulo, BR
Escrito por tablóide Café Literário às 12h20 PM
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Um anopara nossasvidas
A chama multicor de coragem, atrevimento e inocência foi mantida acesa em 2002 com a energia de nosso espírito libertário e com olhar carpe diem de quem nos lê. Foram seis edições de um Café Literário, oferecidas ao mundo no intento de acordá-lo. Cometemos pecados com a certeza de que, a partir deles, desnudaríamos nossas virtudes. E inundamos a praça Benedito Calixto e todas as praças que nos receberam... Despejamos por entre calçadas, barracas e trilhas nossa mensagem de que, a despeito de todas as dificuldades que se têm neste país para divulgar a arte, somos otimistas eternos em relação ao futuro e não desistiremos tão fácil. Recebemos de nossos leitores, incentivos vários para prosseguir o caminho. Alguns desses leitores, por entusiasmo infinito ou inquietude explícita, tornaram-se companheiros de viagem e, hoje, são andarilhos a trilhar letras conosco. Vieram para nos permitir mostrar que não há fim no processo de construção da arte. Vieram para nos lembrar de que tudo é feito essencialmente de começos. Esta sexta edição do Café é assim como o ano de 2002. É um ato amoroso. É um dissolver tácito de entrega. De trás pra frente ou vice-versa tudo será sempre um começo. Tudo tem esse gosto de Aqui & Agora. 2002, um ano em que vocês & nós, juntos, fizemos diferença.
CrisNiederauer
Escrito por tablóide Café Literário às 12h15 PM
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e também trazia, em suas páginas, um emocionante texto da estilistapoeta Lilian:
alinhavos com letras e linhas
Tenho visitado todos os dias as linhas do mundo. Desenhadas por borboletas dançarinas no céu da boca do estômago que já não dorme, Pois esqueceu de tirar a pedra bruta das costas e colocar ao lado dO caminho para onde É de graça chegar lá só custa ler e deixar de ser uma bolinha (de isopor) presa ao fundo do mar reVolto ao incerto ato de fluir cores amarradas em forma de vaga-lumes numa árvore de natal. Substituo Bolas pelas nossas vidas escondidas no úmido porão. Úmidas cenas destelhadas secos corações esquartejaDores de amores As cores do novo presidente vermelho rosado um pouco dourado emocionaram meu país banguela Alguém observou os dentes grandes e fortes que permitem toda aventura em corpo nu (a) cabeça já nem fica em cima do pescoço nessas horas donas de ninguém. Das interrompidas mariposas fervidas na produção de sedA(tivo) a memória percebo tarde demais que o sistema me engoliu quando esqueço de mandar taxistas se foderem sob o semáforo aberto. E Quando for descoberto o ‘entusiasmo - carregar o deus dentro’* não precisarei mais de assinatura nem foto ou (im)pressão digiTal qual a chuva que nem dá sinal pra essas crianças esquecidas de como eram quando Choronas abaladas junto ao tempo distribuído na mesma freqüência com que o emissor transmissor receptor procuram ‘o fundo do mundo (que) é de ouro. mas o mundo está de cabeça para baixo’ Kerouac também acharia que tudo acaba numa buceta? Dívi(di)da entre o toque macio e os despedaços do amor enciumado enviesado à trajetória faminta por dezenas de pães na chapa na qual deveria estar escrito ‘tr3s são os mandamentos da vida: amar, amar e amar’**. beijobeijobeijo a doçura de uma poesia recitada sob três ponto cinco por cento inflacionados suspiros de quem vai aprendendo aos poucos o que significam Ítacas.
a todos aqueles que cruzaram seus olhares com os meus nos últimos tempos amigabelha sóciamiga reencontradamiga amigo amigos irmãos-amigos sócios clientes professores especiais turma wspecialíssima tramas urdumes pequenos transeuntes pai & mãe Amor amores paixões paixão re-descobertos)
Lilian Alves, Brusque, SC, BR
seleção de textos edição#6 por Eduardo Barrox e Gato Bukowski
Escrito por tablóide Café Literário às 12h13 PM
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Fumaça, protesto,
presença & vazio pretexto
e um talvez
esperança de que o mundo
sinta a genealidade mergulhada
em etílicos líquidos agonizantes
num tédio crescente
das mãos trêmulas do escritor
da Hollywood mesquinha & comprimida
dos anos 50.
Rebelde da arte contemporânea
transversal & travessa literatura
a rir assustadoramente
suspenso
entre o Caos e o Tao
Cris Niederauer, Porto Alegre, RS, Brasil
publicado na edição # 5 do Café Literário, seleção de texto por Yara Affonso, set-out 2002
Escrito por tablóide Café Literário às 7h30 PM
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