O que não virá inscrito em tua biografia,
Nem Ilustrado por imagens em preto e branco
Perseguidas pelo olhar à meia-luz,
São teus eclipsados suspiros de homem,
Sentimentos na intimidade das metáforas,
Indecisos por se revelarem.
Porque te proteges nos poemas,
A coragem que te falta na vida,
Imagina-a nos versos, distribuídos em fartura,
Vencendo a longevidade da dor
Enquanto arrebata o amor sôfrego,
Terno, contundente amor,
Que te excita a Alma,
Antes do corpo.
Nos becos do mundo,
Sombrios e solitários da existência,
Uma orgia de sentimentos festeja hoje
Tua biografia, escrita em partes,
A mais importante, sempre por acontecer.
É assim, tua Alma, poeta,
Salvando-nos dos prostíbulos do mundo,
Emprestando letra ao choro barroco das mulheres nas igrejas,
Engasgando entre lágrimas nossas palavras não ditas,
Enquanto margeiam, à deriva,
Teus próprios sentimentos.
É essa tua Alma, poeta,
E não outra coisa,
Quem te faz assim.
E por ela, nos aventuramos,
E damos graças.
MARISE POLLONIO, Vinhedo, SP - seleção de texto & imagem por Eduardo Barrox
publicado na edição#9 -0 jun2003